Como a materialidade evidencia o estágio de maturidade de uma empresa
O papel da materialidade na tomada de decisão, na governança e na transparência corporativa
Por Ambitus em 12/01/2026
A materialidade costuma ser tratada como uma exigência ligada a relatórios ESG. Em muitos casos, ela aparece como uma matriz visual, acompanhada de uma breve explicação sobre como os temas foram priorizados. No entanto, quando observada com mais atenção, a materialidade revela muito mais do que uma lista de temas relevantes. Ela expõe a forma como a empresa compreende seus impactos, sua relação com riscos e sua capacidade de integrar sustentabilidade à estratégia do negócio.
Materialidade como reflexo da maturidade empresarial
A primeira camada revelada pela materialidade é a mentalidade da empresa. Organizações com pouca maturidade tendem a construir matrizes baseadas em listas genéricas, com temas amplos e sem conexão com à realidade da empresa. Sustentabilidade, diversidade, ética e emissões aparecem como conceitos abstratos, sem desdobramento claro.
Já empresas mais maduras utilizam a materialidade como uma forma de enxergar em que fase de maturidade a empresa se encontra. Os temas surgem como impactos específicos, associados a atividades da operação ou da cadeia de valor. Essa diferenciação demonstra que a empresa conhece seus fluxos produtivos, entende onde estão seus pontos críticos e reconhece que seus impactos não se limitam ao que acontece dentro de suas instalações.
A maturidade não está em escolher os “temas certos”, mas em demonstrar consciência sobre como e onde esses temas se manifestam.
O nível de detalhamento como indicador de maturidade
Um dos aspectos mais reveladores de uma materialidade bem construída é o nível de detalhamento dos temas priorizados. Temas genéricos costumam indicar uma compreensão superficial dos impactos. Em contrapartida, quanto mais específico é o recorte, maior é a evidência de que a empresa domina seus processos e entende suas interdependências.
Por exemplo, falar em emissões de gases de efeito estufa é diferente de reconhecer emissões associadas à logística, ao uso de insumos ou à cadeia de fornecedores. O detalhamento mostra que a empresa interpreta sua origem, sua relevância e seus riscos.
Esse aprofundamento exige capacidade técnica, governança de dados e integração entre áreas. Por isso, ele é um sinal claro de maturidade organizacional.
A relação da empresa com riscos e desconfortos
Outro elemento central revelado pela materialidade é a forma como a empresa lida com riscos incômodos. Matrizes construídas apenas para fins de comunicação tendem a evitar temas que possam expor fragilidades estruturais, dependência excessiva de recursos naturais ou vulnerabilidades regulatórias.
Empresas maduras, por outro lado, compreendem que sustentabilidade também é gestão de risco. Reconhecer impactos negativos é uma oportunidade de antecipação. A materialidade, nesse contexto, se torna uma ferramenta para identificar riscos antes que eles se transformem em crises operacionais, financeiras ou de imagem.
Essa disposição para olhar para o desconforto indica uma governança mais sólida e uma visão estratégica de longo prazo.
Quando a materialidade influencia decisões reais
A maturidade da empresa também pode ser observada no que acontece após a definição da materialidade. Em organizações menos preparadas, o processo termina com a publicação do relatório. Os temas priorizados não influenciam investimentos, metas ou escolhas estratégicas.
Já empresas mais maduras utilizam a materialidade como base para decisões. Ela orienta a alocação de recursos, a definição de prioridades, a revisão de processos e a gestão da cadeia de valor. Nesse cenário, os indicadores passam a sustentar decisões que afetam o desempenho do negócio.
O que fica fora da matriz também comunica
Tão importante quanto o que aparece na materialidade é o que fica de fora. Temas ausentes podem revelar lacunas importantes, como falta de dados, baixa maturidade em determinadas áreas ou dificuldade em lidar com impactos específicos.
Empresas maduras são capazes de justificar, com critérios claros, por que determinados temas não foram considerados materiais naquele momento. Essa transparência reforça a credibilidade do processo e demonstra domínio metodológico. Já a ausência de justificativas tende a indicar fragilidade na governança do ESG.
Materialidade como retrato da capacidade de evolução
No fim, a materialidade não deve ser vista como um ponto de chegada, mas como um retrato momentâneo da capacidade da empresa de compreender e gerir seus impactos. Ela evolui à medida que o negócio amadurece, que os riscos se transformam e que o contexto regulatório e social se torna mais complexo.
Empresas que tratam a materialidade com profundidade conseguem usar esse instrumento para orientar sua evolução, fortalecer sua governança e integrar sustentabilidade à estratégia. As que a tratam como checklist continuam reportando, mas sem avançar.
A materialidade bem construída revela maturidade, visão e preparo para operar em um ambiente de negócios cada vez mais exigente.
Como justificar pontos negativos da materialidade sem gerar risco reputacional
Assumir pontos negativos na materialidade não é, por si só, um risco reputacional. O problema surge quando a empresa não demonstra consciência, contexto ou governança sobre esses impactos. Quando bem comunicados, esses pontos passam a ser vistos como desafios de gestão e não como falhas.
Hoje, com o acesso facilitado à informação, qualquer pessoa consegue compreender os principais impactos de uma empresa e como seu setor funciona, mesmo sem ser especialista. Dados públicos, notícias, estudos técnicos e análises independentes tornam a omissão uma estratégia ineficaz. Esconder informações não protege a reputação, ao contrário, aumenta o risco de perda de credibilidade.
A forma mais sólida de lidar com impactos negativos é reconhecê-los com transparência, explicar por que existem, delimitar responsabilidades e mostrar que o tema está mapeado, monitorado e integrado à gestão. Mesmo quando não há solução imediata, demonstrar controle e evolução fortalece a confiança.
Em um ambiente cada vez mais informado e conectado, a maturidade está menos em parecer perfeito e mais em mostrar consciência, governança e capacidade de evolução.
Algumas estratégias que podem ser utilizadas no relatório
- Reconhecer o impacto com clareza
Mostrar que a empresa sabe onde o impacto ocorre e por que ele existe. - Contextualizar dentro do negócio e do setor
Explicar que o impacto está ligado à operação, à cadeia de valor ou às características do setor. - Delimitar o nível de controle da empresa
Deixar claro o que é responsabilidade direta e o que depende de terceiros ou de fatores externos. - Demonstrar governança e acompanhamento
Indicar que o tema está mapeado, monitorado e com responsáveis definidos. - Mostrar evolução ao longo do tempo
Apresentar avanços, aprendizados e planos, mesmo que a solução ainda não seja imediata.
Dessa forma, sua empresa fica menos vulnerável e mais preparada para lidar com as pressões externas.
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