Estruturas moleculares podem ser usadas para capturar dióxido de carbono

Conheça as estruturas que renderam o Nobel da Química de 2025.

Por Ambitus em 22/03/2026

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Em 2025 a Real Academia Sueca de Ciências entregou o Prêmio Nobel de Química para Susumu Kitagawa, Richard RobsonOmar M. Yaghi pelo desenvolvimento das chamadas estruturas metalorgânicas, conhecidas pela sigla MOFs. Esses materiais vêm sendo apontados como uma das alternativas mais promissoras para a captura de CO₂.

Mas afinal, o que são essas estruturas?

De forma simplificada, as estruturas metalorgânicas são redes tridimensionais formadas por íons ou aglomerados metálicos conectados a ligantes orgânicos. Essas combinações dão origem a estruturas porosas uni ou multidimensionais. O diferencial dos MOFs está justamente nos seus poros. Esses espaços vazios internos podem ser projetados para interagir com gases específicos, ignorando outros completamente.

Em vez de simplesmente bloquear ou filtrar o ar, as estruturas metalorgânicas atuam de forma seletiva. Elas permitem que vários gases passem livremente, enquanto capturam apenas aquele que foi “programado” para interagir com o material.

Essa seletividade é o que torna os MOFs tão interessantes para aplicações ambientais.

Como as estruturas metalorgânicas capturam o CO₂?

O processo envolvido é chamado de adsorção. Diferente da absorção, o CO₂ não é dissolvido no material, mas fica aderido às superfícies internas dos poros.

Os cientistas projetam o interior dessas estruturas para que exista afinidade química específica com o dióxido de carbono. É como se as paredes internas do material estivessem revestidas com um velcro que só gruda o CO₂, deixando os outros gases passarem direto.

Quando o ar entra em contato com o MOF, as moléculas de CO₂ penetram nos poros e ficam presas por forças de atração ou por ligações químicas específicas. 

Por que essa tecnologia é tão promissora?

As estruturas metalorgânicas apresentam uma série de vantagens em relação a métodos tradicionais de captura de carbono.

Uma delas é a alta seletividade, que permite capturar CO₂ mesmo em baixas concentrações, algo essencial para aplicações como a captura direta do ar.

Outro ponto relevante é o potencial de eficiência energética. Muitos MOFs conseguem capturar e liberar o dióxido de carbono com menor necessidade de calor, reduzindo o consumo energético do processo.

Além disso, há o potencial de regeneração. Após a liberação do CO₂ capturado, o material pode ser reutilizado em novos ciclos, aumentando sua viabilidade operacional.

Essas características tornam os MOFs interessantes para aplicações industriais, sistemas de exaustão e pesquisas em tecnologias de remoção de carbono.

Essas estruturas são realmente sustentáveis?

Apesar do enorme potencial, é importante manter uma visão equilibrada. Nem todas as estruturas metalorgânicas são iguais. Algumas ainda apresentam desafios relacionados a custo, durabilidade e estabilidade em ambientes reais.

A boa notícia é que a pesquisa científica avança rapidamente para tornar esses materiais mais resistentes e economicamente viáveis em grande escala. Há também estudos focados em integrar a captura de CO₂ com sua reutilização, fechando ciclos e ampliando os benefícios ambientais.

Ainda precisamos reduzir as emissões

Tecnologias de captura de carbono são ferramentas importantes, mas não substituem a necessidade de reduzir emissões na origem. Elas funcionam como complemento a estratégias bem estruturadas de descarbonização.

Para decidir onde faz sentido capturar, reduzir ou compensar, o primeiro passo continua sendo o mesmo, entender as próprias emissões. Sem dados organizados, históricos e confiáveis, qualquer decisão se torna pouco estratégica.

Onde o Ambitus entra nessa conversa

É exatamente nesse ponto que o Ambitus atua. Antes de discutir soluções tecnológicas avançadas, as empresas precisam ter clareza sobre suas fontes de emissão, seus riscos e suas oportunidades.

Com inventários de carbono estruturados, indicadores ESG e gestão de dados ambientais, o Ambitus ajuda organizações a criarem uma base sólida para decisões. Essa base é o que permite avaliar, no futuro, se tecnologias como a captura de carbono fazem sentido dentro da estratégia da empresa.

O Prêmio Nobel de Química de 2025 mostra que a ciência está abrindo novas portas no combate às mudanças climáticas. As estruturas metalorgânicas representam uma forma de interagir com o dióxido de carbono, usando a própria química como aliada.

Ainda há desafios, mas inovação, quando combinada com dados bem organizados e estratégia ambiental, tem o potencial de transformar a forma como lidamos com o carbono.

Referências:

FAPESP. Compostos químicos capazes de capturar gases e água rendem Nobel de Química. Disponível em: <https://agencia.fapesp.br/compostos-quimicos-capazes-de-capturar-gases-e-agua-rendem-nobel-de-quimica/56127>. Acesso em: 19 fev. 2026.

HIV – and beyond: Talking to Françoise Barré-Sinoussi. Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/>.‌

LI, D. et al. Advances and Applications of Metal‐Organic Frameworks (MOFs) in Emerging Technologies: A Comprehensive Review. Global challenges, v. 8, n. 2, 30 dez. 2023.‌