Inventário de Carbono no Agro
Emissões, sequestro e o verdadeiro potencial do campo na agenda climática
Por Ambitus em 28/01/2026
O agronegócio ocupa uma posição estratégica no debate climático global. Ao mesmo tempo em que é responsável por uma parcela relevante das emissões de gases de efeito estufa, o setor possui uma característica única: a capacidade de remover carbono da atmosfera por meio de processos biológicos e práticas de manejo. Nesse contexto, o inventário de carbono surge como uma ferramenta essencial para entender, medir e gerenciar esse equilíbrio entre emissões e sequestro.
O inventário de carbono no agro é um instrumento de gestão que permite transformar dados em decisões, revelando riscos, oportunidades e o real potencial da atividade rural.
Principais fontes de emissões no agronegócio
As emissões de gases de efeito estufa no agro variam conforme o tipo de cultura, sistema produtivo, escala da operação e nível de mecanização. Ainda assim, algumas fontes são recorrentes na maior parte das propriedades rurais e agroindústrias.
O uso de fertilizantes nitrogenados é uma das principais fontes de emissões, especialmente devido à liberação de óxido nitroso (N₂O), um gás de aquecimento global. A forma de aplicação, a dosagem e o manejo do solo influenciam diretamente o volume emitido.
A combustão móvel e estacionária também tem papel relevante. Máquinas agrícolas, tratores, colheitadeiras, caminhões próprios, geradores e caldeiras consomem combustíveis fósseis e geram emissões diretas de CO₂. A intensidade dessas emissões depende do processo produtivo, da eficiência dos equipamentos e da matriz energética utilizada.
O consumo de energia elétrica, também deve ser considerado. Embora no Brasil a matriz seja majoritariamente renovável, o uso de energia em irrigação, beneficiamento, armazenamento e refrigeração impacta o inventário.
Além disso, há as emissões fugitivas, como vazamentos de gases refrigerantes em sistemas de refrigeração, comuns em agroindústrias, vinícolas, frigoríficos e unidades de armazenamento. Esses gases possuem potencial de aquecimento global e podem representar uma parcela significativa das emissões quando não monitorados.
A importância dos escopos e da visão de cadeia
Embora o foco inicial do produtor muitas vezes esteja nas emissões diretas da propriedade, é fundamental ampliar a análise para os diferentes escopos do inventário de carbono.
No agro, é bastante comum que etapas relevantes da cadeia, como transporte de insumos, escoamento da produção e distribuição dos produtos finais, sejam realizadas por empresas terceirizadas. Essas emissões, enquadradas no Escopo 3, não devem ser ignoradas, pois representam riscos, oportunidades de melhoria e, em muitos casos, exigências de clientes e mercados internacionais.
Ao incorporar os escopos de forma estruturada, o inventário passa a refletir a responsabilidade climática da cadeia produtiva como um todo.
Emitindo ou sequestrando? A pergunta central do agro
Uma das grandes vantagens do agronegócio em relação a outros setores é sua capacidade de sequestrar carbono. Solos bem manejados, sistemas de plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, áreas de vegetação nativa, florestas plantadas e culturas perenes contribuem para a remoção de CO₂ da atmosfera.
O inventário de carbono permite avaliar o balanço das emissões, se está sendo sequestrado mais carbono ou emitido. Isso muda completamente a forma como o negócio se posiciona no mercado,e define prioridades de investimento.
Benefícios do inventário de carbono para o agro
A elaboração de um inventário de carbono estruturado traz benefícios que vão muito além do atendimento a padrões ou relatórios. Ele apoia a gestão ao identificar ineficiências no uso de insumos, energia e combustíveis, contribuindo para a redução de custos operacionais.
O inventário também fortalece o acesso a mercados mais exigentes, especialmente exportadores e compradores que já incorporam critérios ESG em suas decisões. Além disso, prepara o produtor e a agroindústria para futuras exigências regulatórias e financeiras relacionadas ao clima.
Outro benefício relevante é a melhoria da imagem e da credibilidade do negócio. Dados mensurados, auditáveis e bem comunicados fortalecem o relacionamento com investidores, clientes, parceiros e a sociedade.
Casos práticos e aprendizados do setor
Um dos exemplos mais inspiradores vem da Vinícola Guatambu, que alcançou um feito raro no mundo vitivinícola, um vinhedo e um vinho Carbono Negativo.
Isso mostra que a agricultura, quando guiada por práticas regenerativas, monitoramento rigoroso e uso inteligente de dados, pode ir além de mitigar impactos. Ela pode gerar saldo positivo para o clima.
A Guatambu conquistou esse resultado graças à combinação entre manejo sustentável, solo saudável e um estudo aprofundado de emissões que revelou algo surpreendente: o vinhedo sequestra mais carbono do que emite. Poucas empresas no mundo conseguem afirmar isso.
E esse avanço reforça um novo padrão de mercado, produtos sustentáveis, comprovados por inventários robustos, ganham valor, credibilidade e competitividade internacional.
O papel do Ambitus na gestão climática do agro
É nesse cenário que o Ambitus atua como um aliado estratégico do setor. Por meio de tecnologia, metodologia e conhecimento técnico, o Ambitus apoia produtores rurais e agroindústrias na elaboração de inventários de carbono completos, confiáveis e alinhados às melhores práticas e padrões internacionais.
No campo, sustentabilidade começa com dados. E dados bem geridos revelam o verdadeiro potencial do agro na transição para uma economia de baixo carbono.
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